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Indústria não pode ser tratada com ‘aspirina’, diz executivo

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“Estamos na UTI e ele [o governo] está dando aspirina. As medidas são muito simples, têm boa intenção, podem até reduzir a febre de 40 para 39 graus. Mas não vão resolver o problema, pois têm um impacto pequeno diante da realidade que temos hoje na indústria nacional”.

 

O desabafo é de Sérgio Leme, presidente da Dedini, a maior fabricante de equipamentos para a indústria da cana do país. Ele considera que decisões do governo provocaram o desempenho pífio do PIB e afetaram negativamente o setor industrial.

 

“O governo não conseguiu colocar suas boas intenções de modo prático. Baixou os juros, mas não tomou medidas adjacentes. Agora se fala em voltar a aumentar as taxas. O governo está indeciso nos seus caminhos”, afirma.

 

Leme, 52, está há dez anos na Dedini. Viu o faturamento de R$ 400 milhões em 2004 saltar para R$ 2,2 bilhões em 2008. No ano passado, ele foi de R$ 600 milhões. “Voltamos ao patamar de 2005″, resume.

 

Com 45% de ociosidade (taxa que chegou a ser de 5%), a redução no número de trabalhadores também foi significativa. “Em 2007, eram 6.500 funcionários; hoje são 3.200.”

 

DESINDUSTRIALIZAÇÃO

 

Empresa 100% nacional com mais de 90 anos, a Dedini observou a desnacionalização do setor de cana nos últimos anos. As aquisições estrangeiras não resultaram, até agora, em investimentos.

 

“Nos últimos quatro anos, grandes grupos chegaram e aproveitaram oportunidades. Pegaram um setor endividado e compraram ativos. Existem no Estado de São Paulo pelo menos umas 30 usinas que ainda estão à venda.”

 

Engenheiro de produção, ele acha que provavelmente os resultados estão sendo enviados para fora ou podem ser usados ainda em aquisições. Torce para que, passada essa fase, os investimentos sejam retomados.

 

Mas para isso, argumenta, os investidores “querem saber o que o governo quer fazer. Se o governo continuar a segurar o preço da gasolina, o etanol tem pouca chance, pois está atrelado à gasolina”.

 

Nesse cenário, a empresa descarta aumentar investimentos neste ano.

 

Mas e os apelos da presidente para investimentos? Governo e empresariado estão numa queda de braço para ver quem consegue mais vantagens? “Um pouco sim”, diz, acrescentando: “O governo finge que ajuda e os empresários fingem que acreditam”.

 

Leme defende a volta de investimentos pelo governo, uma política industrial e uma reforma tributária. “Os impostos são um peso enorme. O que se paga de imposto na matéria prima é um absurdo”.

 

INVESTIMENTO SUBSTANTIVO LONGE

 

“Empresário é louco para investir”, mas investimento substantivo só vai acontecer em 2014. O diagnóstico é de Pedro Passos, presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial e sócio-fundador da Natura.

 

Passos avalia que ainda hoje “o ambiente é ruim, não tem crescimento”. Considera que houve erros no processo de condução da economia envolvendo governo e empresários.

 

“Há uma falta de confiança, talvez de parte a parte.”

 

Para ele, não é correto transferir para o exterior a explicação para os resultados da economia. “O cenário externo não deve ser justificativa para as nossas mazelas internas.”

 

Na sua análise, o país tem que trilhar um novo modelo de desenvolvimento, no qual o consumo deixe de ser o motor da economia. “Fomos muito pobres em investimentos nos últimos anos. Não aproveitamos uma boa fase para melhorar o nível de oferta.”

 

Passos constata que o investimento público, fundamental para puxar a produção, tem tido dificuldade em decolar. Além disso, o país deixou de se integrar às cadeias produtivas globais.

 

“O Brasil não é mais lugar de produção, é de consumo. Todos querem produzir para vender aqui”. A enxurrada de importados afetou a indústria. “Fragilizamos nossas cadeias, e, hoje, a maior parte dos produtos têm componentes importados na sua produção.”

 

Para baixar o custo Brasil, Passos advoga a desoneração da base das cadeias produtivas. O que atingiria produtos como cimento, aço, energia, químicos. Com preços compatíveis com parâmetros internacionais, ele acredita que se criaria competitividade.

 

Fonte: Folha de S.Paulo

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